7 mitos sobre compostagem

Você já pensou – e desejou – fazer o seu próprio composto mas não seguiu adiante por algum motivo? Provavelmente seu motivo se encontra abaixo. Veja alguns mitos recorrentes sobre compostagem e talvez você se anime a começar hoje mesmo!

Antes de mais nada, queria enfatizar que quando falo em compostagem considero a ação de macroorganismos (minhocas, centopéias, tatu bola, etc) e microorganismos (bactérias e fungos por exemplo). Já a vermicompostagem ou minhocultura são as compostagens feitas exclusivamente com minhocas.

Mito #1 – É muito complicado

Fazer composto é um processo natural e simples. A tendência do material orgânico é se transformar em composto, então sobre pra você pouquíssimas tarefas já que a natureza se encarrega da maior parte. Existem vários níveis de dificuldades para decompor material orgânico e usufruir das suas benesses. Se você tem pátio, fazer um buraco no chão e enterrar restos de cozinha, por exemplo, não precisa nem sequer pensar mais nisso. Ou pode fazer em contato com o solo, porém com algo contendo, seja tijolos, madeiras, telas. Dessa forma, e também o sistema de compostagem para pequenos espaços você precisa interferir um pouco mais do que se for uma composteira diretamente no chão. Adicionar algumas minhocas (tarefa somente inicial para composteira em caixas, baldes e tambores), cuidar para estar sempre úmido e mexer no composto para aerar podem ser as tarefas mais trabalhosas, mas não complicadas, já que rapidinho você pega o jeito.

Mito #2 – Você precisa seguir uma receita

Apesar de receitas complexas existirem – e funcionarem – você pode criar compostos de boa qualidade simplesmente misturando materiais úmidos (restos de cozinha, grama recém cortada) com ingredientes secos (folhas secas, grama seca, papelão cortado, serragem).

Mito #3 – Demora muito

calendarioSe você fizer uma pilha de composto e nunca mexê-la para aerar demora vários meses para decompor. Com a tarefa de semanalmente virar a pilha ou ter algum sistema de aeração em poucas semanas o composto estará pronto. E, claro, alguns materiais podem exigir um tempo maior de decomposição como espiga de milho, caroços grandes de frutas, pedaços de madeira.  Se você evitar esses itens e/ou picá-los, a decomposição é relativamente rápida. Há quem triture no processador os restos de cozinha antes de adicionar à composteira, acelerando muito a decomposição.

Mito #4 – Compostagem atrai bichos

Imagem Adam Davis

Imagem Adam Davis

Opa, essa não é mito, é verdade mesmo. Porém aqui você toma alguns cuidados simples para evitar os bichos indesejados (porque todo mundo deseja muitas minhocas e outros decompositores, certo?). Se a sua composteira for fechada, já evita os indesejados ratos e baratas. Apesar de há quem diga que baratas são benéficas para a compostagem (em inglês), vamos combinar que não soa legal ter colônias de baratas no pátio de casa. Composteiras a céu aberto que podem ser um grande banquete para essas criaturas. A melhor forma de prevenir isso é colocar pouco restos de cozinha, dando preferência a grama cortada e folhas e inseri-los entre esses itens. Além disso, cobrir com uma lona ajuda a abafar qualquer cheiro apetitoso que eventualmente escape para os ratinhos da vizinhança.

Mito #5 – Compostagem cheira mal

Se cheirar mal é sinônimo de que algo vai mal (excesso de nitrogênio). Composto saudável deve cheirar como terra, um cheiro suave. E quando tem excesso de umidade e/ou falta de oxigênio podem gerar este cheiro desagradável e, certamente, pode atrair moscas e outros insetos indesejados. A falta de aeração faz com que prevaleçam as bactérias anaeróbicas, que causam o mau cheiro. Revirando o composto eventualmente, faz com que circule oxigênio e bactérias aeróbicas prevaleçam, diminuindo o odor ruim. A umidade pode ser controlada de duas formas: cobrir com uma lona ou telhado caso seja a céu aberto para diminuir a incidência de chuva e/ou adicionar mais materiais secos (ricos em carbono), como papelão e folhas secas.

Mito #6 – Precisa de muito espaço

Você pode fazer vermicompostagem dentro de casa, mesmo no apartamento. Existem diversas composteiras comerciais prontas para você utilizar em pequenos espaços ou você pode montar uma com caixas e/ou baldes plásticos. Veja várias dicas em agriculturaurbana.org.br.

Mito #7 – Não colocar cebola, alho e frutas cítricas

Imagem Luis Brito

Imagem Luis Brito

Elas só seriam um problema em uma vermicompostagem (minhocultura), em que as minhocas fazem o trabalho exclusivamente. Isso porque elas não são fãs desses itens e, eventualmente, podem ser afetadas pela mudança de PH ao redor. Porém, na compostagem comum podem ser adicionados sem nenhum problema, pois existem outros seres participando da decomposição de materiais, como bactérias, fungos, centopéias entre outros que topam qualquer negócio.

 

 


E aí, se você ainda não faz compostagem, existe algum outro motivo disso?

 

9 Comentários

  1. Gostei dos esclarecimentos, eu estava mesmo com algumas dessas dúvidas… principalmente porque moro em apartamento e fico com medo do cheiro e dos bichos indesejáveis… Mas acho que depois desse post vou rever meus conceitos… rsrs

  2. Revirar o composto é desnecessário, e ainda leva a maior perda de nitrogênio no composto. A oxigenação ao revirar aumenta por uns dez minutos, depois volta ao normal. O essencial é manter a aeração através de um quantidade adequada de matéria seca, de tamanho médio a grande.

  3. Olá, gostei das dicas. Tenho uma caixa de compostagem com minhocas desde dezembro. Está dando certo ao meu ver. Nunca coloco cítricos, nem cebola, nem restos de comida. Porém essa semana que passou com muita chuva elas queriam ir embora, estavam fugindo e morrendo na calçada. Será umidade demais? A caixa é tampada e ainda mantenho um papelão grosso por cima. Pega pouco sol no dia.

  4. Eu faço a compostagem em casa com e sem minhocas. A matéria orgânica resultante do processo eu uso na minha horta que é orgânica. Só não coloco nas composteiras sementes de frutas porque elas germinam.

  5. Ola! Gostei muito das dicas.
    Estou com uma duvida.
    Dei inicio a minha composteira a + – 30 dias e já estou colocando alimento na segunda caixa. A primeira caixa deve ser revirada a cada 2 ou 3 dias? Ou agora ela deve ficar descansando?
    Obrigado desde já.

  6. Também tinha o receio por morar em apto e no início foi difícil acertar, mas com pouco tempo, sabendo dosar a quantidade de material seco (carbono: folhas, casca seca de banana, etc.) e molhado (cascas, frutas, talos, etc.) o cheiro é de fato de terra molhada. Para amenizar o cheiro e afastar mosquitos, formigas, polvilho borra de café SECA após cada camada. O segredo é não deixar seco demais, pois demorará muito para decompor, nem muito úmido (apenas ir colocando material molhado), pois ai sim apresentará cheiro forte (do material apodrecendo).
    Sempre coloco uma camada de material seco por baixo, antes de colocar o úmido. Vou preenchendo o recipiente com material seco e úmido para não ficar muito molhado.
    Prefiro revirar o máximo que posso (umas 2x por semana) pois o material vai naturalmente assentando e “compactando”, reduzindo o ar entre ele, e com isso dificultando o processo de compostagem.

  7. Obrigada por esclarecer o mito sobre não colocar cascas de cebola, alho e frutas cítricas na compostagem. Tenho duas composteiras de 1000 litros, há anos, e sempre coloquei esses restos. Agora sei que eles só devem ser evitados por causa das minhocas. Um abraço.

  8. Olá, estou fazendo compostagem na minha floreira. Hoje fui mexer nela e tinha um rato em cima, assim que descobri ele saiu correndo. Eu posso usar essa compostagem mesmo assim? Ouvi dizer que ratos transmitem doenças e estou com medo de utilizar essa compostagem.

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